quinta-feira, 5 de outubro de 2017

o dia da preguiça

Compilado das fotos tiradas no dia 1º de outubro de 2017 no Bosque dos Jequitibás em Campinas.












terça-feira, 28 de março de 2017

O Cais

E o caos dará lugar a um cais onde todos os barcos se encontrarão. O meu e o seu.
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E il caos darà luogo ad una banchina dove tutte le barche si incontreranno. La mia e la tua.
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And the chaos will give place to a quay where all the boats will meet. Mine and yours.


sábado, 25 de março de 2017

"Nonada"

Ah, mas eu gosto mesmo é das ausências. Do mundo que não há de ser. Onde nem Deus não manda e eu tenho meu reino particular. Atravesso as coisas e nelas não me firmo. Me firmo nas ideias imateriais.

Seus braços me faltam. Os abraços, os laços, percalços. Há de vir o dia em que o mundo será um funil. É já tarde. As noites. Nada não foi e cabe ali a vida toda. Eternidades.

Vento no descampado dura uns minutos. Depois corre girando até o fim do mundo.
A árvore jamais esquece. Vento terremoto. As folhas.

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Ah, ma me piacciono veramente le assenze. Il mondo che non dovrà mai essere. Dove né Dio non manda ed io ho il mio regno privato. Attraverso le cose e nelle non mi fermo. Mi fermo soltanto nell'idee immateriali.

Le tue braccia mi mancano. Gli abbracci, i lacci, gli ostacoli. Verrà il giorno in cui il mondo sarà un imbuto. È già tardi. Le notti. Niente è stato e si può mettere lì tutta la vita. Le eternità.

Il vento nella campagna dura qualche minuto. Poi corre in giro fino alla fine del mondo.
L'albero non si dimentica mai. Vento terremoto. Le foglie.

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Ah, but I really like the absences. The world that never should be. Where not even God commands and I have my own private kingdom. I pass through the things and I do not stand. I stand only in immaterial ideas.

I miss your arms. The embraces, the laces, the hindrances. The day will come when the world will be a funnel. It's already late. The nights. Nothing was and you can put there an entire life. Eternities.

The wind lasts in the open field just for a few minutes. Then it runs to the end of the world.
The tree never forgets. Earthquake wind. The leaves.



domingo, 14 de fevereiro de 2016

Comunicado

Queridos,
Depois de períodos bastante tumultuados em que não conseguia me dedicar como gostaria aos desenhos, finalmente encontrei um pouco mais de paz e tempo. \o/
Assim, gostaria de comunicar que estou aceitando encomendas e também indicações de editoras (em especial de livros infantis).
Obrigada por todo o incentivo de sempre!

♡♡♡



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Nada a ser feito!


(publicado no Carta Campinas)

Há o sarcástico predomínio do caos com sua enorme desordem sufocando os desígnios no ar.

Na última noite, munida de um bloco de notas, eu estava destinada a um instante de epifania que me permitiria escrever sobre a ironia contida no surgimento involuntário da vida nesta pequena esfera rochosa imersa em um universo decadente. Você, estimado leitor, estava destinado a ler, neste exato momento, um maravilhoso ensaio sobre a tragicomédia humana. O problema é que, no meio do caminho, fomos atingidos em cheio por uma Bic azul ponta fina que estava predestinada, desde tempos imemoriais, a falhar. Já estava escrito. Ou melhor, não estava. A aleatoriedade venceu a profecia, de modo que, por ora, tudo que podemos fazer é lamentar os estragos incalculáveis que uma caneta de um real pode causar. Afinal de contas, meu insucesso literário e a frustração de sua leitura reflexiva estão longe de ser os únicos casos de desgraça resultantes da falta de uma caneta.

Pense em todos os vestibulandos que perdem suas vagas na universidade, ano após ano, em consequência de uma caneta que não chegou ao fim da redação. Ou pior, que se recusou a iniciar o preenchimento do cartão-resposta. Imagine todas as cartas jamais escritas ao longo dos séculos por causa de uma caneta - ou pena - defeituosa. Ou todos os amores certos que se perderam numa malograda troca de números de telefone na balada. Quando foi que passamos a confiar nosso porvir a um instrumento tão incerto e temperamental? Numa era em que a manipulação genética tem nos guiado, a passos largos, rumo a um futuro sem surpresas, como é que ainda deixamos uma porta tão grande para o acaso em nossas vidas? É inaceitável que experimentemos tamanho desconforto e apreensão quando, por algum motivo obscuro, ainda escolhemos o papel em detrimento de nossos incríveis smartphones e notebooks. Talvez seja o último fôlego do homem primitivo em nossa alma, que, saudosista, insiste na ideia de que há alguma beleza no caos.

Na última noite, arrastei com força a ponta da caneta sobre o papel. Esfreguei-a entre as mãos. Assoprei. Nada. Depois de ver todas as esperanças minguarem em meio às tentativas desesperadas de conseguir um traço de tinta, voltei a pensar na condição humana. Considerei este planetinha tão vulnerável destinado a carregar a única espécie conhecida capaz de buscar algum propósito na existência, e que, a qualquer momento, pode ser atingido por um meteoro malfadado. Lancei um olhar resignado sobre a página branca. Nas bandas de cá da Via Láctea, às vezes, não importa o tamanho do esforço, a caneta simplesmente não funciona; o amor não basta; o remédio falha. Resta-nos, então, contemplar, nas folhas em branco, nas fotos antigas, nas noites eternas, "a vida inteira que podia ter sido e que não foi".